No pronto-socorro, a primeira conversa é sempre a mesma. Nome, idade, o que houve, e então a sequência que ninguém consegue responder direito no meio do susto: que remédios você toma, em que dose, tem alergia a algum, já fez alguma cirurgia, tem alguma doença crônica.

São perguntas simples. Às três da manhã, com um parente no maca ao lado, elas viram um branco total.

Este texto não é sobre quando procurar um pronto-socorro — essa decisão é clínica e não cabe aqui. É sobre a única parte do problema que dá para resolver com antecedência: ter a informação pronta antes do dia em que ela for necessária.

O que a triagem sempre pergunta

Monte um bloco por pessoa da casa com estes itens. É a pauta real do atendimento:

  • nome completo, data de nascimento e peso (peso importa muito em criança);
  • medicamentos em uso, com dose e horário — incluindo os sem receita e os “só de vez em quando”;
  • alergias e reações, a medicamento, contraste, anestésico ou adesivo;
  • condições crônicas já diagnosticadas;
  • cirurgias e internações anteriores, com ano;
  • implantes e dispositivos: prótese, stent, marca-passo, DIU, com o cartão do dispositivo se houver;
  • vacinação relevante, sobretudo a antitetânica em caso de ferimento;
  • tipo sanguíneo, se você tiver o registro;
  • contato de emergência e quem responde legalmente por aquele paciente.

Ninguém precisa decorar isso. Precisa estar escrito num lugar que abra rápido.

O que levar na hora

Se der tempo de pegar alguma coisa antes de sair:

  • documento com foto e carteirinha do plano, se houver;
  • cartão do SUS, quando for atendimento na rede pública;
  • a lista de medicamentos — ou, mais rápido ainda, as próprias caixas dentro de uma sacola;
  • carregador de celular. Espera de pronto-socorro esvazia bateria, e a bateria é onde está o resto da informação;
  • relatórios de internações anteriores, se o motivo tiver relação.

Levar as caixas dos remédios resolve em dez segundos o que uma lista mal lembrada não resolve em cinco minutos. Se estiver com pressa, jogue tudo numa sacola e leia depois.

Prepare uma vez, para cada pessoa

O trabalho todo é de meia hora, uma vez. Faça um conjunto por pessoa: você, seu companheiro, cada filho, cada pai ou mãe que você acompanha. Misturar as informações em uma lista só é o erro que aparece justamente na hora em que ninguém tem calma para separar.

Para quem cuida de um pai idoso, três itens extras valem a preparação antecipada:

  • quem pode decidir e assinar por aquele paciente, e com qual documento;
  • o nome e o telefone dos médicos que acompanham a pessoa;
  • o que já foi tentado e não deu certo — não como opinião clínica sua, mas como registro: qual medicamento foi suspenso, quando e por indicação de quem.

Digital resolve quase tudo, menos um caso

O celular é o melhor lugar para esses dados: está sempre com você, abre rápido e cabe uma quantidade de detalhe que nenhum papel comporta.

Duas condições, e as duas costumam ser esquecidas.

Precisa abrir sem internet. Pronto-socorro é subsolo, parede grossa e wi-fi de visitante que pede cadastro. Se seus registros vivem numa nuvem, eles estão indisponíveis exatamente no lugar onde você mais precisa deles. Faça o teste do modo avião hoje, não lá.

Precisa funcionar quando o celular não funciona. Bateria acabada, aparelho travado, ou você inconsciente com o telefone bloqueado. Para esse caso, e só para esse, um cartão de papel na carteira com nome, condições, alergias, medicamentos e contato de emergência continua sendo a solução mais confiável já inventada. Vale também configurar a ficha médica de emergência do próprio celular, aquela que aparece na tela bloqueada.

O digital é o principal; o papel é o backup do backup.

Antes de ir embora, peça os papéis

Este é o passo que quase todo mundo pula, com pressa de ir para casa, e é o que faz a informação daquela madrugada se perder.

Antes de sair, garanta:

  • a ficha ou relatório do atendimento, com o que foi feito e o que foi diagnosticado;
  • os resultados dos exames realizados ali;
  • a prescrição de alta, legível, com dose e duração;
  • a orientação de retorno: quando voltar, a quem procurar, com o que.

Nem sempre entregam tudo na hora. Pergunte como pedir depois e anote o número do atendimento. Se você precisar buscar isso mais tarde, o caminho é o mesmo de qualquer pedido de cópia de prontuário.

Na semana seguinte

Enquanto está fresco, registre: data, unidade, o que aconteceu, o que foi prescrito, qual o retorno. O médico que atender essa pessoa daqui a três meses vai perguntar exatamente isso, e a resposta “foi numa madrugada de julho, acho” não ajuda ninguém.

É esse conjunto que o FichaMed guarda organizado por perfil, no seu aparelho, sem nuvem e sem conta: consultas, profissionais, receitas e exames de cada pessoa da família, separados, e disponíveis mesmo sem sinal. Vale conferir também por quanto tempo guardar cada documento que sair dessa ida.


Este texto trata de preparação e organização de informação, e não substitui orientação médica. Ele não diz quando procurar atendimento nem o que fazer diante de um sintoma: em emergência, procure o serviço de saúde ou o número de emergência da sua região.